Consumo de álcool no Cotuca: prejuízos e punições

Neste primeiro semestre de 2016, ocorreram vários casos de alunos suspensos pela escola, envolvendo, de alguma forma, o consumo de bebidas alcoólicas. O fato preocupa pais, professores e funcionários – e diz respeito aos alunos como um todo, mesmo os que não fazem consumo de bebidas. Porém não é novidade.

O ambiente escolar é um dos primeiros, senão o primeiro, contato que crianças e adolescentes têm com a sociedade. É durante esse período que jovens estão mais predispostos a receber informações e é quando irão desenvolver características condizentes com a sociedade em que estão inseridos. Isso envolve comportamentos ditos por alguns como inaceitáveis, a exemplo do consumo de álcool que, para outros, é algo comum entre a maior parte dos brasileiros e não pode ser chamado de imoral. Segundo o IBGE, 55,5% dos estudantes do 9º ano no Brasil já experimentaram bebidas alcoólicas, e 21,4% já sofreram algum episódio de embriaguez.

Segundo pesquisa realizada pelo II LENAD (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), em 2012, a média de idade com a qual brasileiros começam a consumir bebidas alcoólicas é por volta dos 15 anos, muito antes do que estabelece a legislação.

No Cotuca o tema também já foi discutido, principalmente após o trabalho de conclusão de curso intitulado “Uso de Substâncias Psicoativas entre Adolescentes”, desenvolvido pelos alunos de Enfermagem do Cotuca, Carolaine Campos Lira, Larissa Loyola Cavalcanti, Maitê Vasconcelos Luz, Maria Emília Moreira e Pedro A. A. de Campos, no ano de 2015, sob orientação da Profa. Dra. Tânia Maria Coelho Leite e coorientação da Profa. Dra. Fernanda Freire Januzzi. O TCC aponta que 46,4% dos alunos dos segundos anos e 60,2% dos terceiros anos experimentaram bebidas alcoólicas pela primeira vez entre a faixa etária de 14 a 17 anos. Ambos os dados deixam claro que é durante a época em que os alunos estão matriculados no colégio que eles têm seu primeiro contato com álcool.

O consumo de bebidas alcoólicas por alunos menores de idade não é considerado correto ou normal pela equipe pedagógica do colégio ou por psicólogos da área. Ângela Salvucci, orientadora pedagógica do Cotuca, afirma que, sendo o colégio um local de trabalho dos funcionários e um local de estudo dos alunos, não cabe a nenhum deles a permanência no ambiente em estado mental alterado.

Segundo Ângela, no segundo semestre de 2016, serão feitas palestras e divulgação maciça do apoio do CECOM com o projeto Viva Mais (Programa de Prevenção ao Uso de Substâncias Psicoativas Lícitas e Ilícitas), que tem como objetivo promover uma nova cultura em relação ao uso de substâncias psicoativas dentro do campus da Unicamp. Ela diz também que a escola serve para mais do que apenas passar os conteúdos presentes no currículo e, por esse motivo, é importante que as palestras sejam ministradas, porém já estamos quase em setembro e nenhum cartaz está visível nos corredores do colégio, informando sobre o CECOM, que foi mencionado pela coordenadora, ou qualquer outro programa ou palestra.

Um possível agravante para alunos do Cotuca é o excesso de cobrança que enfrentam. Alguns dizem que saem para beber durante o período de aula para “desestressar”. O consumo de álcool como forma de alívio da tensão existe e envolve, segundo o TCC de Enfermagem, 5,2% e 8,8% dos alunos de segundos e terceiros anos do colégio, respectivamente. O principal motivo para o consumo de álcool é diversão ou prazer, o que corresponde a 28,2% dos alunos de segundo ano entrevistados pela pesquisa e a 40,6% dos de terceiro ano.

O colégio tem tomado outras medidas para tentar reduzir o problema. “A política da escola é pautada em duas coisas: a primeira é a punição exemplar, para o aluno perceber que o que ele fez é errado”. Além disso, Ângela afirma que “a punição vem agregada a uma coisa muito importante: o encaminhamento. A suspensão é para o bem e a escola visa à saúde do menor de idade”. As punições têm acontecido em forma de advertência e suspensão de até 10 dias. Mas a orientadora lembra que o encaminhamento é uma responsabilidade do aluno e de sua família, já que a escola não possui um psicólogo ou psicopedagogo para quem o aluno possa ser encaminhado. A Unicamp disponibiliza acompanhamento para os alunos no SAE (Serviço de Apoio ao Estudante), apesar da disponibilidade de atendimento ser pequena para muita demanda.

Já para Juliano Santos, psicólogo e atual gestor do programa de acolhimento para dependentes químicos do Instituto Padre Haroldo, “a punição não é uma boa medida. O diálogo, a presença dos pais e falar abertamente sobre essas questões na escola, numa linguagem atual, são medidas mais eficazes”.

3 Comentários

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outubro 07, 2016 em 09:10 AM

Muito interessante! Parabéns

Donald Trumpresponder
outubro 17, 2016 em 12:10 PM

O consumo do álcool é cultural, principalmente nessa fase da vida.
A escola realmente acha que uma suspensão irá mudar algo? ou até mesmo que um encaminhamento (que ao meu ver só irá constranger o aluno) ajudará?

Sem contar que no cotuca de hoje é mais fácil ver alunos chapados de maconha que de álcool.

E pessoas envolvidas nesse artigo, algumas delas no caso, são muito hipócritas, pois já fizeram exatamente o que recriminaram aqui.

Hillary Clintonresponder
outubro 18, 2016 em 10:10 PM

MAKE COTUCA GREAT AGAIN

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