Guarani e Ponte Preta – O derby campineiro

“Clássico é clássico”. Talvez essa seja uma das frases esportivas mais famosas, a regra que derruba muitos analistas e comentaristas de suas modalidades. Guarani x Ponte não é diferente. Não é só um clássico, é o derby campineiro, o derby mais antigo do estado de São Paulo e que tem uma história de dar inveja até a jogos como Santos x São Paulo, Palmeiras x Corinthians e muitos outros por todo o Brasil. Mas por que um clássico de uma cidade do interior de São Paulo tem tanto prestígio?

Como nenhuma grande história se constrói do meio, ambos os times tiveram seus inícios com grupos de jovens que jogavam juntos. Porém, não só antes do Guarani, mas como de qualquer time em funcionamento ininterrupto no Brasil, foi fundada a Ponte Preta, em 1900, transformando o futebol da região. Em sua trajetória, a Ponte Preta se destacou por diversos motivos, inclusive uma importante participação na luta contra o racismo e o elitismo no futebol, o que a diferenciava dos outros times que se formavam pelo Brasil. O Guarani também construiu uma trajetória de destaque. O clube foi fundado em 1911, e tem como nome uma homenagem à obra O Guarani do maestro Carlos Gomes. Durante todas essas décadas, ambos os times se destacaram ao revelarem para o Brasil grandes jogadores.

Para nos aprofundarmos no propósito desse texto, voltamos um pouco nessa história, até o primeiro confronto. Essa partida ocorreu em 24 de março de 1912, um ano após a criação do Guarani – uma partida da qual não se sabe o resultado exato até hoje. Para os alvinegros, o final da partida se deu com o resultado de 1 a 0, enquanto os alviverdes afirmam que o jogo acabou com um gol para cada lado, 1 a 1.

 

Época de ouro

Até a década de 1970, Ponte e Guarani estavam construindo trajetórias consagradas como grande clubes e já apresentavam bons resultados. Construíram suas historias e fizeram seus nomes no futebol brasileiro. Todavia, a partir dessa década, os clubes passaram a viver algo que não tinha acontecido em suas histórias, uma fase que seria e será lembrada por anos, como referência futebolística.

As décadas de 1970 e 1980 foram quase impecáveis para o futebol campineiro. Ambos os times estavam em seu auge, entre os melhores do país, revelando, através de um excelente trabalho aplicado nas categorias de base,  verdadeiros craques que marcaram história no país inteiro. Por algum tempo, Campinas chegou a carregar o título de capital do futebol brasileiro.

No final de década de 1970, o Guarani contava com um time magnifico, com nomes significativos, como Careca, Zenon  e Renato. A Macaca não ficava atrás, com um time tão bom quanto, com jogadores como Dicá, Oscar, Polozzi e Carlos. Nessa época, ambos os time iam bem nos campeonatos que disputavam e estavam sempre brigando por títulos, sendo que a Ponte bateu na trave do Campeonato Paulista múltiplas vezes. Em 1978, por exemplo, um dos principais anos do time, seu rival teve o maior triunfo de sua história, o Campeonato Brasileiro, que até hoje é motivo de festa para a torcida, além uma 4° colocação na Libertadores.

Tudo isso fazia com que o derby daquela época fosse totalmente diferente do de hoje. O Brasil se voltava para esse jogo, o que causava ainda mais pressão nos jogadores.

De acordo com o campineiro ex-treinador, preparador físico e jogador de grandes times do Brasil e do mundo,entre eles ambos os times campineiros, Pedro Pires de Toledo Filho, 70 anos, jogar um derby era tenso, a responsabilidade era grande e os jogadores sentiam uma pressão diferente, tanto naquela época como hoje. Porém, sempre com muito respeito por ambas as partes.

 

Atualidade

Se na década áurea títulos foram conquistados pelo Guarani, ultimamente o time alvinegro é que se sobressai, tendo conquistado a vice colocação na Copa Sul-Americana de 2013 e no Campeonato Brasileiro de 2014, quando o time subiu de divisão, se mantendo até hoje. Mas o Bugre também teve seu momento recente, em 2012, quando chegou à final do Campeonato Paulista, porém tinha como seu adversário o time do Santos, com Neymar jogando um futebol de alto nível que encantava o Brasil.

Mas nem tudo são flores, e os times também passam por situações ruins. O Guarani passa ainda hoje por complicações em relação a seu estádio e com o pagamento de salários, envolvendo-se com a Justiça e colocando o patrimônio do clube em perigo.

 

Histórico de Confrontos

Um dos destaques do confronto é o fato de ser sempre parelho e apresentar pouca margem  de vantagem para o Guarani. Porém, esse histórico não tem sido atualizado ultimamente, pois os times não jogam competições iguais.

derby

Fonte : https://pt.wikipedia.org/wiki/Derby_Campineiro

 

Todos os jogos são como finais no clássico, porém, alguns se destacaram e criaram uma relevância entre os outros. Alguns exemplos são os jogos de inauguração de ambos os estádios dos times, que nas duas vezes terminaram com a vitória do visitante, ou o jogo que “comemorou” os 100 anos do clássico, que foi disputado na fade de grupo do Campeonato Paulista de 2012 e teve como placar um empate. Um dos mais famosos foi o jogo da semifinal, que teve como placar o 3×1 para o Bugre, quando Fumagalli, o principal jogador alviverde, foi substituído, e Medina, que entrou no meio do jogo, decidiu a partida, marcando dois gols e garantindo a vitória.

Pelo lado da Ponte, um dos principais jogos foi o 3×1 para cima do rival, num jogo em que um argentino teve sua noite de destaque, Gigena. Naquele dia, ele marcou três gols para a Macaca e garantiu a vitória para o time, além de virar um espécie de ídolo pelo feito.

 

Algumas curiosidades

Muitos detalhes nesse clássico o destaca de outros. Um dos maiores exemplos é a distância entre os estádios. O Moisés Lucarelli (casa da Ponte Preta) fica situado no Jardim Proença, na praça Dr Francisco Ursaia e foi inaugurado em 1948. O Brinco de Ouro da Princesa (casa do Guarani) foi inaugurado em 1953, e tem como localização a avenida Princesa D’Oeste, também no jardim Proença: 650m separam esses dois estádios.

 

Distância Brinco-Moises

 

Além da “geografia do clássico”, outros fatos interessantes que constituem o clássico, como o de que o maior público não foi em nenhum dos dois estádios, mas no Pacaembu, com 38.948 pessoas, em 1979, terminado 2×0 para o Guarani.

 

Envolvimento das torcidas e brigas

Confrontos entre torcidas já aconteceram várias vezes e é sempre um perigo para a segurança da cidade, o que acontece em diversos eventos em Campinas. Durante esses confrontos, muitas pessoas já foram mortas ou feridas e, por isso, a segurança em dia de clássico na cidade é maior do que o normal. Um agravante dessa situação é a já citada distância entre os estádios que facilita o encontre entre as torcidas.

Para Pedro Toledo, as brigas são um dos grandes males do futebol, resultado da perda de princípios, fugindo das características do esportes, de unir e integrar pessoas diferentes. Para ele, o futebol é como teatro: se você gosta do que vê e se envolve com aquilo, aplaude o espetáculo, não importando quem o fez. Ser bugrino não tira seu direito de admirar o futebol da Ponte Preta e vice-versa. Não é preciso odiar um para amar o outro.

Hoje o clássico não tem a proporção que já teve, mas ainda é muito importante para a cidade. Ambas as torcidas continuam, por exemplo, a criar músicas para zombar do outro time, que se tornam famosas entre os torcedores e mesmo para quem não torce para nenhum desses times. Ainda assim, mesmo com os times tendo grandes diferenças de renda e elenco, não há favorito para o vencedor, a menos que você seja torcedor de algum dos times, porque, nesse caso, o seu time certamente não perderá o clássico.

5 Comentários

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anonymousresponder
setembro 09, 2016 em 08:09 AM

só lol q presta

anonymousresponder
setembro 09, 2016 em 08:09 AM

AEEEH BRUNÃO!

Anonimo de PD16responder
outubro 19, 2016 em 07:10 AM

O título do BUGRÃO foi em 1978…. 13/08/1978

E em 2012, n houve dois jogos na semifinal…
O jogo que vc disse que foi 1×1, foi no primeiro turno do campeonato

Só houve uma semifinal e essa sim, foi 3×1… Dois do medina, um de Fábio Bahia…

Fernandoresponder
outubro 20, 2016 em 09:10 PM

Campinas tem Dono!! HSG até morrer!! Ao pessoal do site uma obs. Vamos colocar um pouco de Verde nessa página pois essa cor escura tem cara de virgem!

Luizresponder
Abril 28 em 06:04 PM

Belo texto. Sou santista mas minha noiva mora em Campinas, cidade que aprendi a gostar e admiro os dois clubes sem predileção por nenhum dos dois, vi o Guarani campeão de 78 e a Ponte com um timaço em 77, quando foi garfada pelo Coríntians, quem é da época sabe. Que o Guarani ressurja e esse clássico volte a dicar em evidência, e sem violência.

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